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Pornochanchada: tudo sobre esse gênero do cinema brasileiro

Você já ouviu falar em pornochanchada? Sabe o que é? Bem, este foi um famoso gênero criado pelo cinema nacional.

A palavra vem da junção de duas outras que seriam: “pornô” e “chanchada”. O termo prestou-se para a classificação de determinados tipos de filmes que tiveram suas produções iniciadas nos anos 70.

Este gênero surgiu por uma convergência entre fatores culturais e econômicos, especialmente com a dita liberação de diversos costumes. Com isso, houve a explosão de uma tendência nova dentro do mercado cinematográfico. Mercado este que passou a explorar o erotismo e a questionar os valores da época.

A pornochanchada, sendo um produto típico culturalmente do Brasil, fez bastante sucesso no país. Talvez um dos motivos mais relevantes tenha sido suas produções de custo baixo.

A pornochanchada e suas influências

É notável o quanto as comédias italianas populares foram base para inspiração de muitos filmes do gênero. Mas as que continham um teor substancial erótico contribuíram em maior grau.

Muitas das influências também vieram das comédias populares cariocas urbanas, assim como das produções paulistas com seus erotismos insinuantes dos anos 60.

De certo modo, a pornochanchada acabou servindo como termo rotulador de produções mal elaboradas e acabadas. Classificava as obras cujo teor predominante era a malícia, o sexo e a exploração da anatomia feminina.

O gênero era como uma fórmula mágica cinematográfica que acabou conquistando com rapidez um grande número de admiradores brasileiros. Os títulos continham um duplo sentido, uma vez que os enredos comumente giravam em volta de conquistas amorosas, traição, virgindade, etc.

Para diversos críticos da época, a pornochanchada era vulgar, grosseira e apelativa. Julgavam-na como uma beneficiadora do controle excessivo das produções culturais e das informações na época da ditadura militar.

Os mais moralistas e conservadores da sociedade naquela década organizaram-se e prepararam diversas campanhas que iam contra todas as exibições daqueles filmes. Isso fez com que várias produções tivessem cortes impostos pela censura federal.

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A história da pornochanchada

Os primórdios

As primeiras pornochanchadas produzidas entre os anos de 68 e 72 foram:

  • Reginaldo Faria com Os Paqueras;
  • Pedro Carlos Rovai com Adultério à brasileira;
  • Alberto Pieralisi  com Memórias de um gigolô.

Nessa fase, considerada a primeira na produção desse gênero, os filmes puderam contar com diretores e produtores mais experientes. Para isso, eles atentaram para questões básicas como eficiência do elenco, conceituação do roteiro, etc.

As ascensões

Em uma segunda fase, em uma localidade do bairro da Luz chamado de Boca do Lixo, a pornochanchada deslanchou em um sucesso relâmpago. Mas consolidou-se em seguida, com diretores especializando-se nas produções experimentais, tal como Carlos Reichenbach.

Com isso, foram surgindo mais e mais diretores, bem como filmes com uma maior diversificação. A qualidade também subiu alguns degraus, passando até a ser reconhecida no mercado do cinema entre os anos 72 e 78.

Nesta época, 9 entre as 25 grandes bilheterias, eram uma pornochanchada. E como primeiríssimo lugar estava o recorde de bilheteria de Pedro Carlos Rovai: A Viúva Virgem.

Algum tempo depois, mas de forma natural, a pornochanchada acabou dando base para vários subgêneros. Estes já exploravam outros temas como:

  • Western;
  • Drama;
  • Terror;
  • Policial;
  • Experimental;
  • Além dos primordiais, erótico e comédia.

O apogeu

O grande público acabou sustentando a bilheteria, bem como proporcionou a continuidade linear do gênero. Começou-se a ter mais relações de trabalho harmoniosas, criativas e produtivas entre distribuidores, produtores, assim como com os grupos de exibição.

Isso destoou completamente do que acontecia com o cinema nacional na época, exceto com a fase da chanchada nos anos 50. Os filmes tão discriminados acabaram emplacando com êxito diversos sucessos comerciais. O acontecimento se deu mesmo contrariando os despeitados pseudomoralistas da sociedade brasileira conservadora.

Essa ascensão também não agradou nem um pouco os críticos e os que trabalhavam para a censura. Estes ficavam cada vez mais escandalizados com o auge daquilo que julgavam descortês e de extremo mau gosto.

Não foram poucos os pretextos arranjados para que fossem desencadeadas inúmeras campanhas estrondosas dentro do Congresso Nacional, dentro da sociedade civil e da Censura Federal que acabou vetando dezenas de produções inseridas na pornochanchada.

As maiores distribuidoras estadunidenses também ficaram bastante incomodadas com o sucesso que os filmes eróticos estavam fazendo. Elas não ficaram nada contentes em ver a quantidade desmedida de títulos brasileiros tão bem-sucedidos conquistando uma fatia considerável do mercado cinematográfico internacional.

No que diz respeito a essa tomada de ocupação das bilheterias gringas, as produções nacionais chegaram a ter uma participação de cerca de 30% de bilhetes que foram vendidos no país. Isso correspondia ao que variava em torno de 120 milhões de ingressos.

O patrocínio de quase 2/3 dos filmes nacionais produzidos anualmente na década de 70, foi custeado pela Boca do Lixo. Com isso, a pornochanchada pode dar brilho a várias estrelas que surgiram nesse cenário construído de forma modesta, mas dinâmica.

O gênero não contava com o potencial das grandes publicidades, mas acabou revelando atrizes como:

  • Nicole Puzzi;
  • Vera Fischer;
  • Sandra Brea;
  • Entre outras.

O declínio e o grande fim

Quase uma década depois, em meados de 80, a pornochanchada começou a dar demonstrações de saturação no que concernia a economia e estética. A decadência total enquanto gênero do mercado cinematográfico acabou coincidindo com a grande crise financeira que o Brasil enfrentou naquela época. Isso afetou em demasia os índices em queda do público.

Em paralelo com a competição por parte dos estrangeiros com o cinema hardcore dos EUA, as produtoras brasileiras, mesmo hesitando, acabaram aderindo à execução de filmes com sexo, mas dessa vez, bem explícito.

O primeiríssimo pornô brasileiro foi um grandioso sucesso, atingindo a média de audiência de aproximadamente 4 milhões de telespectadores no país. Finalmente ele deu forças para que fossem realizadas mais e mais produções aqui.

A pornografia nacional tinha custos mais baixos de produção, assim como uma pior qualidade. Mas, independente disso, acabou dominando uma extensa porção dentro do mercado. Essa foi a última fase do gênero dentro da cinematografia da Boca do Lixo. Esse foi o fim triste da pornochanchada no Brasil.

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